Contas da última gestão revelam déficit de associados e corte nos gastos com comunicação
O Balanço Financeiro apresentado pela diretoria é confuso. São raras as rubricas em que podemos comparar quanto foi gasto e quanto foi arrecadado em uma atividade. A única alternativa que nos resta é comparar os números com o ano anterior para medirmos o desempenho do último ano da gestão passada. Vamos tomar o item Formação/Cursos como exemplo. Ele aparece apenas nas receitas, sendo omitido nas despesas. Ficamos então sem saber se os cursos são deficitários ou uma fonte de renda para o Sindicato e se o mesmo acontece com os parceiros e professores que prestam esse serviço. (Desde já reiteramos: defendemos que o Sindicato ofereça cursos gratuitos para os jornalistas, por meio de convênios com universidades públicas). Um dado bastante curioso diz respeito ao valor cobrado dos participantes. O curso de Repórter no Telejornalismo que se realizará na sede do sindicato neste mês cobra R$ 180 de jornalistas sindicalizados e R$ 260 de não sindicalizados. O que espanta são os juros cobrados para o parcelamento. Se desejar pagar em duas parcelas, o sindicalizado deverá arcar com juros de 11%, ou seja, duas parcelas de R$ 100! Se preferir pagar em três parcelas, o valor total sobe para inexplicáveis R$ 240, três parcelas de R$80, 33% acima do valor inicial. Em 2008, nosso Sindicato deixou de arrecadar R$ 7.778 com Contribuição Associativa (mensalidades pagas pelos filiados), o que representa ou uma baixa inadimplência ou uma pequena evasão, mas certamente afirma uma estagnação nas ações de filiação de novos jornalistas. Aparentemente a direção não se dá nem ao trabalho de tentar sindicalizar aqueles que passam pelo Sindicato para solicitar a emissão da Carteira de Jornalista da Fenaj. Os valores arrecadados mostram que a procura pelo documento engordou o caixa em pouco mais de R$ 47 mil, 21% a mais do que no ano anterior. Compreende-se o comodismo da direção quando se constata que a rubrica Contribuição Assistencial (taxa compulsória paga pelos jornalistas não sindicalizados) apresentou uma evolução de cerca de R$ 67.000 em relação a 2007. A partir da receita dessa rubrica em 2008, R$ 937.681,20, podemos fazer uma conta simplificada: hoje existem cerca de 3.900 jornalistas registrados em empresas de comunicação que permanecem fora da vida sindical da nossa categoria. A diferença entre as contribuições Assistencial e Associativa é de apenas R$ 18.902,53, ante R$ 93.992,96 no ano anterior. Caso a projeção seja mantida, em 2009 ela será a principal receita e os não-sindicalizados serão os principais financiadores do nosso sindicato! Esse é um dos motivos pelos quais defendemos a não cobrança dessa taxa, obrigando o empenho e participação do Sindicato no dia-a-dia das redações, aproximando-se da realidade dos empregados, agindo proativamente na defesa de nossa categoria. A principal receita do Sindicato deve ser a mensalidade associativa, resultante da decisão dos jornalistas de se filiarem por vontade própria ao Sindicato, por entenderem a importância da entidade como representante da categoria na defesa dos seus direitos. |