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Camões Ribeiro do Couto Filho, diretor de base - Vale do Paraíba
Camões Ribeiro do Couto Filho, diretor de base - Vale do ParaíbaJornalista e pedagogo. Há 40 anos na profissão, trabalhou nos jornais A Tribuna, ValeParaibano, Estadão/JT e foi assessor da Assembléia Legislativa de São Paulo. Há mais de 15 anos é assessor de imprensa do Sindicato dos Comerciários de Taubaté. É autor do livro-reportagem “O Canto do Vento”, sobre campos de concentração existentes no Brasil na 2ᵃ Guerra Mundial.
 
Primeira Página
Entrevista com jornalista demitida da Caros Amigos
Por J. Itacaré   
12 de Março de 2013

A notícia de que a direção da revista Caros Amigos, uma referência histórica na mídia de esquerda brasileira, demitiu todos os seus funcionários que faziam greve pegou muitos de surpresa.

Na última sexta-feira (08/03), toda a equipe que forma a redação da publicação resolveu cruzar os braços depois que, no início da semana, o diretor-geral da Casa Amarela (editora que publica a Caros Amigos) Wagner Nabuco anunciou que a partir de abril a redação sofreria um corte na folha salarial de 50% (leia o manifesto da greve aqui ).

Em resposta à paralisação, Wagner Nabuco convocou a equipe da redação e comunicou que todos os grevistas estavam demitidos, alegando “quebra de confiança”.

O Sindicato É Pra Lutar! entrevistou a porta-voz da equipe demitida da Caros Amigos, Gabriela Moncau, que falou sobre a situação. Veja abaixo a entrevista:

Sindicato É Pra Lutar! - Todas as pessoas que se envolveram na greve foram demitidas? Houve alguém que não entrou em greve?
Gabriela Moncau - A greve foi realizada por todos os integrantes da equipe de redação da Revista Caros Amigos. No total são 11 pessoas, incluindo jornalistas, editores e designers gráficos. Todos foram demitidos.

SPL - Como vocês receberam a notícia da demissão?
GM
- É triste ver tamanha incoerência em um veículo que cumpre o papel de crítica e contra-hegemonia em um cenário estarrecedor de concentração dos meios de comunicação. Entendemos a importância que a Caros Amigos tem e, claro, por isso muitas vezes nos submetemos a condições que em outros veículos não nos submeteríamos. Mas era o nosso trabalho, não a nossa militância. Até quando patrões de instituições de esquerda utilizarão a "militância" dos que ali trabalham para fechar os olhos às condições precárias a que estes são submetidos? Recebemos a notícia da demissão com imensa indignação. Utilizamos um instrumento legítimo e constitucional, histórico da luta dos trabalhadores, e ao sermos chamados para uma reunião, imaginávamos que haveria a possibilidade de conversa, negociação. Mas não houve essa vontade por parte da direção da revista desde quando o corte de 50% do salário foi anunciado.

SPL - Vocês chegaram a questionar a direção sobre a demissão? O que eles argumentaram sobre demitir grevistas?
GM
- O anúncio da demissão durou poucos minutos. Optamos por não bater boca com o diretor-geral da revista, Wagner Nabuco. Não havia ali clima para qualquer conversa. A demissão dos 11 integrantes da redação em greve foi feita sob a alegação de "quebra de confiança".

SPL - O que vocês pensam fazer agora?
GM -
Vamos conversar com um advogado ainda hoje e aí pensar os próximos passos. De qualquer forma, apesar da tristeza que a situação nos traz, estamos todos muito orgulhosos do processo que temos vivido até agora. Não podíamos, enquanto jornalistas, trabalhadores, cidadãos e principalmente, enquanto pessoas que lutam por um mundo mais justo, aceitar de cabeça baixa imposições tão desrespeitosas e incoerentes. Em meio a imenso apoio e solidariedade que recebemos até agora, alguns nos disseram que estamos equivocados pois a questão é muito maior que nossos empregos e nossa sobrevivência pessoal, que temos que pensar na preservação da revista. Nossa luta nunca foi contra a revista, pelo contrário, foi pelo fortalecimento dessa publicação a qual todos nós temos o maior orgulho de participar. Que a questão é muito maior que o salário e emprego dos 11 grevistas, disso temos certeza. A questão é sobre as precárias condições a que os trabalhadores estão submetidos, é sobre as contradições e incoerências dos espaços da esquerda, é sobre o "silêncio militante" que muitas vezes rondam esses espaços e que nos impedem de avançar, é sobre as dificuldades de sobrevivência de veículos contra hegemônicos, é sobre a reprodução de lógicas conservadoras dentro desses ambientes, é sobre a luta por um mundo melhor.

 
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Marcia Camargos, jornalista e historiadora
Marcia Camargos, jornalista e historiadoraEm tempos de falsa euforia sobre o crescimento econômico do Brasil, que na verdade esconde o retrocesso das conquistas dos trabalhadores de todas as áreas e também da imprensa, é reconfortante e promissor ver um grupo como este, disposto a recolocar o Sindicato dos Jornalistas no caminho das lutas por mudanças e renovação. Meu apoio a este chapa da qual faz parte, entre tantos outros nomes cujo trabalho e militância política eu respeito e compartilho, o meu colega "saciólogo" Mouzar Benedito.
 
 

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